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terça-feira, 21 de maio de 2019

Dimensão Europeia do Benfica

Com tantos sucessos a nível interno, algo que é indesmentível com o quinto título nos últimos 6 anos, o sexto nos últimos 10 anos, fazendo desta década a segunda melhor na história do clube começa a ficar complicado argumentos para criticar a direcção que o Benfica enquanto clube tem tomado.

De um ponto de vista objectivo, o Benfica no início do século era um clube sem infraestruturas, sem modalidades, sem projecto de Estádio e sem rumo. A maioria das modalidades tinha sido desmantelada e as que vigoravam no clube estavam com ordenados em atraso. O primeiro desígnio foi pagar aos atletas, criar projecto para infraestruturas e reerguer algumas das modalidades. A segunda fase de todo este rumo foi o apostar forte no futebol e na componente desportiva nas mais diversas modalidades. E por fim, a terceira fase foi basear essa componente desportiva num modelo sustentável e sustentado na formação.

Podemos concluir que com mais ou menos acerto, todas as fases, até ao momento, foram bem definidas e vincadas. O reerguer do clube até final da primeira década do século XXI com a aposta na construção do Estádio e dos Pavilhões. O apostar forte nas modalidades e futebol enquanto componente desportiva, com títulos europeus no Hóquei e Futsal, assim como uma hegemonia no Basquetebol e Voleibol e até um raro título no Andebol que é de longe a modalidade menos “conseguida” do Projecto. Isto para não falar do Atletismo que também se cimentou como o melhor de entre o sector masculino. Por fim, acho que também é consensual que a aposta na formação, quer ao nível do futebol quer ao nível das mais diversas modalidades tem sido uma aposta ganha.

Posto isto, o que criticar? Dimensão Europeia do Benfica no Futebol. Na prática, tirando argumentos bacocos como “festejar de fato de treino” ou “tem divida ao Novo Banco de 600 milhões de euros”, as criticas a esta direcção e mais concretamente a Luís Filipe Vieira resumem-se ao facto de na opinião dessas pessoas o Benfica se ter transformado num clube de dimensão nacional, sem dimensão internacional. Mas será que com esta direcção o Benfica perdeu dimensão europeia ou já não tinha?

Desde a final em 1990 contra o AC Milan até 2004 o Benfica na Europa esteve presente  em três quartos de final (Juventus 93, Milan 95 e Fiorentina 97) e numa meia final (Parma 94). Apenas em 1995 foi na Liga dos Campeões.

Desde 2004 até 2019 o Benfica foi seis vezes a quartos de final (Barcelona 06, Espanhol 07, Liverpool 10, Chelsea 12, Bayern Munique 16 e Eintracht 19), uma vez às meis finais (Braga 11) e a duas finais (Chelsea 13 e Sevilla 14). Em 2006, 2012 e 2016 esses resultados foram na Liga dos Campeões.

Afinal de contas o Benfica ganhou ou perdeu estatuto internacional? O que é mais importante, o ano de 2018 em que perdemos 6 jogos na Liga dos Campeões ou o top-10 europeu durante alguns anos? Ou duas finais europeias? Quem já leu comentários meus sabe, sou muito crítico da gestão que o Bruno Lage fez nesta Liga Europa. Acho que tínhamos condições para lutar pelo troféu e o treinador abdicou de tal troféu para ser campeão. Se calhar se fosse eu treinador não tinha ganho nem uma coisa nem outra. Sou totalmente contra afirmações demagógicas do sonho europeu, acho que o Presidente não tem de falar nisso porque coloca apenas lenha para se queimar. Agora, criticar o clube sobre dimensão internacional quando desde há mais de 25 anos não se via um Benfica com tanta capacidade para se bater lá fora… por certo haverá anos que as coisas correm pior, mas achar que com isso perdeu-se dimensão internacional quando essa dimensão acabou há 30 anos atrás…

Outra coisa que muita gente parece esquecer é que as regras mudaram. Até 1995 só competiam na fase de grupos 8 equipas em dois grupos de 4. Só em 1998 é que se esticou as equipas para 24 em 6 grupos de 4 e pela primeira vez se fez quartos de final. Só nessa altura se começou a verificar mais equipas de cada país na Liga dos Campeões. 

Fala-se muito no ano em que o Porto venceu a Liga dos Campeões. Em 2003-2004 havia 16 equipas do grupo de Ligas como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França. Hoje em dia temos 19 equipas dessas Ligas na Liga dos Campeões e as diferenças entre as Ligas são muito mais acentuadas. 
Jogar com o Atlético de Madrid ou mesmo Valência de hoje em dia não é a mesma coisa que jogar com Celta de Vigo ou Real Sociedad ou Corunha da altura. Jogar com Dortmund não é mesma coisa que jogar com o Estugarda da altura. Jogar com PSG não é a mesma coisa do que jogar com o Marselha da altura. Ou o Manchester City de agora não tem o mesmo nível que o Chelsea tinha antes do Mourinho lá aparecer. Hoje em dia o espaço que existe entre os grandes das maiores Ligas e as ligas periféricas é consideravelmente maior do que era. 

Com isto quero dizer que não pode haver uma surpresa? Este ano houve. Claro que pode haver surpresas. Se o Benfica tem empatado em Amesterdão e ganho na Luz ao Ajax se calhar agora estava o Ronaldo todo contente. Teve azar. Não tivemos a pontinha de sorte que merecíamos nessa altura. Tivemos agora em Maio. Vamos é acabar com a demagogia de achar que ter dimensão europeia é lutar pela Liga dos Campeões. Isso acontecerá se tudo se alinhar e tivermos sorte. Mesmo a Liga Europa como estão os moldes agora será complicada de vencer por alguém fora do top-5 de Ligas Europeias.

Cá estaremos para desafiar as nossas hipóteses, não coloquem é a ideia de sucesso ou insucesso internacional com a vitória de títulos internacionais. Para isso acontecer é preciso o futebol português dar uma grande volta.

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