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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Luís Filipe Vieira e as maroscas com o Jorge Mendes


Como sabem aqui por este cantinho da internet tentamos desmistificar alguns pontos que pelas redes sociais ou comunicação tentam passar como verdades. Hoje não vamos fazer isso, mas algo semelhante. 
Já aqui foi abordado a questão de Jorge Mendes e do Benfica pelo Nuno Martins: 


Esta publicação vem tocar num outro ponto: hipocrisia. Na verdade um dos principais problemas da comunicação social e das redes sociais são os desconhecimentos da realidade ou então o esquecimento premeditado de algumas coisas. 

Trago-vos aqui apenas um exemplo de como essa hipocrisia pode ser levada a um extremo e que, para nós benfiquistas, deve ser encarada com alguma estranheza. 

Ontem em conversa com os meus colegas de blog sobre os gastos que o FC Porto estaria a ter neste defeso, dei por mim a verificar quanto teria o Porto recebido pelo Militão. Isto porque me parecia que o Porto já tinha gasto o que o Militão lhes tinha dado e já estaria a gastar o que o Filipe rendeu. O GG referiu-me que o Porto não tinha recebido a totalidade dos 50M€ do Militão e eu fui "investigar". O curioso que a "investigação" despontou não foi quanto o Porto recebeu mas sim quanto pagou... 

Ora vejamos:


Mais concretamente:

Tudo completamente legal à primeira vista certo? A hipocrisia está em neste caso não se dar atenção aos valores de encargos que se tem. Só uma pequena conta nos dirá que o Porto de 8,5M€ paga 1,5M€ de encargos, ou seja, 17,6% de encargos. São mais que os 10% que o Benfica paga pelo Mendes. Certamente nestes encargos estarão prémio de assinatura com o jogador, o que possivelmente baixa o valor da % ao empresário. Mais interessante é ver ali o Mbemba, que tem quase 25% da transferência em encargos. Mas passemos à frente...

O mais interessante é quando vemos o comunicado do São Paulo sobre a venda do Militão ao Porto.

Ora.... vejamos!


Mais de perto:


Espera, espera. O São Paulo recebe pelo negócio 4M€ mas o FC Porto despendeu 7€ pelo passe? Como assim?  Em que ficamos? Então e a CMVM não pergunta ao Porto como é que estas contas são feitas?

A Globo tenta ajudar o pessoal:


Olhando ao que interessa:

Portanto, o São Paulo recebe 4M€, o Porto paga 7M€ dos quais 3M€ são para os empresário e o próprio jogador? Okay, parece-me certo. Significa que o Porto pagou quase 43% de comissões no negócio. Qual o problema? O problema é que o Relatório e Contas do FC Porto diz que o Porto gastou 7M€ mais 1,5M€ de encargos. Se tudo isto é legal, e tenho algumas reservas quanto aos comunicados de cada clube não coincidirem, então significa que o Porto pagou 8,5M€ por um jogador que custou na realidade 4M€.

Portanto, 4,5M€ entre comissão ao jogador mais comissão ao empresário (3M€)  e "encargos" (1,5M€) dum total de 8,5M€. Que dá um pequeno valor de quase 53% em comissões e encargos.

Mas o Mendes é que é caro?

Este foi um dos negócios do ano. Tudo o que é comentador ou expert da matéria veio a público dizer que era um exemplo de uma grande contratação e um exemplo de negócio. Um daqueles modelos de gestão à Porto que muito ficaram conhecidos na primeira década do século XXI. Nisso estamos de acordo, mas não pelas melhores razões.

Ainda há uns dias, num programa d'A Bola TV sobre as finanças do Benfica ouvia um senhor perguntar-se como seria possível o Real Massamá ter tido alavancagem negocial para ficar com uma percentagem do passe do Vinicius aquando da negociação com o Nápoles. Basicamente colocando uma nuvem sobre o negócio dizendo que de certo haveria marosca.

Então e porque é que ninguém fala na marosca (ilegalidade?) do Militão a vir para o Porto por 4M€? Ou por 7M€? Ou por 8,5M€? Quanto foi mesmo? Uma coisa sabemos nós. Não foi o Mendes. Se fosse o Mendes o Porto só tinha pago 4,4M€. Que era 10% dos 4M€.

Prefiro ver o Benfica com uma parceria assumida. Com uma preço definido para essa parceria em todos os negócios (10%), do que ver este tipo de "negócios modelo".