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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Direitos televisivos: Uma opinião completamente diferente!

Começando pelo inicio… Para mim, o tema terá sempre de ser "direitos televisivos" e não "centralização de direitos televisivos"! Parece a mesma coisa mas não é... porque logo à partida não exclui possibilidades.
 
Benefícios de centralização
De facto, uma larga maioria de experts portugueses de futebol diz que Portugal é um exemplo do que não se deve fazer no que a direitos televisivos diz respeito… Dá-se como provado por artes mágicas que a centralização nos fará automaticamente aumentar as receitas totais e que a competitividade iria aumentar.
Os experts portugueses de futebol afirmarem algo com certezas absolutas... para mim é meio caminho para desconfiar que provavelmente não será bem assim!
 
Segundo a UEFA, Portugal é o único pais onde os clubes negoceiam individualmente e isso reflete-se na diferença entre o que recebe o 1º e a mediana!
 
 
 
E isso significa o quê relativamente ás receitas totais? NADA!
Abaixo da média (2,4x) neste critério encontram-se: Suécia, Inglaterra, Israel, Áustria, Roménia, Polonia, Dinamarca, Bélgica, Suiça, Rep. Checa, Turquia e Ucrânia! Questão… excetuando Inglaterra, trocavam com algum dos campeonatos desse lote? Não. Sendo que a maioria até são da nossa dimensão geográfica e superiores economicamente…
Segundo a mesma publicação, as receitas dos direitos de transmissão têm ficado mais igualmente distribuídas em 14 ligas e menos igualmente distribuídas em  10 ligas… as ligas em que mais se tem verificado uma evolução no sentido da distribuição mais igualitária são Croácia, Espanha, Turquia e Israel! Mais uma vez… mais igualmente distribuídas não significa melhor... nem a evolução nesse sentido tem trazido as ligas que optam por esse método para o top!
 
Receitas totais
O campeonato português tem o sétimo maior mercado de direitos televisivos, o qual valeu em 2017 um total de 126 milhões de euros, atrás de Inglaterra (2,9 mil milhões), Espanha (1,2 mil milhões), Itália (mil milhões), Alemanha (820 milhões), França (617 milhões) e Turquia (295 milhões de euros)… Ou seja, NUNHUM pais com mercado interno comparável ao português tem uma liga a receber mais receitas totais do que Portugal!
 
A UEFA reconhece que em Portugal existe o clube que se faz pagar com maior diferença para a mediana…

Quanto a este tema ainda se coloca a questão especifica do Benfica… se os benfiquistas com o melhor negócio apenas por direitos de transmissão criticam o negócio afirmando que poderia e deveria ser melhor ainda (gostava de ver essas criticas com um estudo de mercado e uma proposta feita por alguém e recusada em anexo)…
 
Ou seja, mantendo o Benfica, no mínimo os valores que recebe atualmente… a única hipótese de este critério evoluir no sentido da média europeia seria os pequenos receberem mais… o que significaria que o total do mercado no caso dos clubes pequenos estaria subavaliado. Isto num mercado que há clubes que nem contrato de transmissão conseguiram fazer! Alguém acredita neste pressuposto?
 
  

Quanto a assistências no estádio, Portugal é, apenas, o décimo campeonato de uma primeira divisão na Europa com maior assistências por jogo. Para este número contribuiu o Benfica sendo o único representante de Portugal a entrar no top 20 dos clubes com melhores assistências. Daqui se constata que o mercado televisivo em Portugal está "inflacionado" relativamente ao mercado de assistências ao vivo!
 
 
Competitividade
E a ansiada competitividade? E aqui vou citar um leitor (Gus) "Acho que é a única forma do futebol português se tornar mais competitivo e, consequentemente, as equipas portuguesas terem verdadeiramente uma palavra a dizer na Europa do futebol"...
A minha questão… será que queremos mesmo maior competitividade? Really?
Tenho muuuuuiiiiiitas dúvidas! Quer relativamente aos benfiquistas quer ao público em geral.

É lembrar o que se diz do Benfica de Trapattoni… o campeão com mais pontos perdidos de sempre... e desse campeonato, que  acabou com equipas a descer com 34pts!


Se a fazer 80+pts, se a ser campeão 5x em 6 anos os benfiquistas criticam… o estádio já teria sido incendiado se um Braga fosse campeão em nome da competitividade… ou seja, "queremos" uma competitividade para os outros!

O Rui ontem afirmava que somos adeptos de 3 clubes e não somos adeptos de futebol?
Discordo totalmente! Eu vejo jogos da liga inglesa já depois de saber o resultado, vejo jogos do Benfica pela 2ª vez… Não me peçam para perder 1s a ver um Tondela x Belenenses… Não vejo! Para ver chutão de um lado e defesas a perder tempo com a bola na entrada da área do outro…

Assim, julgo eu, ser injustificado assumir como provada a opinião dos experts da centralização!
 
Métodos de distribuição
 
 
 
O Benchmark da KPMG indica que a relação 1º-ultimo na liga inglesa é de 1,6:1 (2016/17) e indica este valor como o exemplo de uma distribuição equitativa!
 
 
Este é o método modelo da generalidade das pessoas… esquecendo todas as especificidades culturais e desportivas do contexto onde é aplicado esse modelo… desde a língua universal até à dispersão de vencedores históricos da competição!
O método inglês consiste em: 50% distribuído igualmente ("Equal share"), 25% baseado em quantos jogos são transmitidos para Inglaterra ("Facility Fees"), 25% de acordo com a posição final na classificação ("Merit Payments"). Depois existem duas rubricas "Central Commercial revenues" e "International broadcasting revenues" que não fazem parte do bolo inicial mas são distribuídas igualmente pelos clubes.
Na liga Inglesa existe ainda a curiosidade de os pagamento de mérito desportivo dizerem respeito apenas á época em questão e não leva em conta a audiência televisiva das transmissões mas apenas o numero de transmissões…
 
Imaginem o Benfica a receber 1,6x o que recebeu o Nacional da Madeira… qualquer presidente seria imediatamente, e justificadamente, demitido em AG extraordinária!
 
Na Bundesliga os critérios de distribuição centralizada estão focados no rendimento desportivo das ultimas duas décadas e na promoção de jovens talentos.
A La Liga é indicada como a liga top 5 onde esta relação tem diminuído mais (3,7:1 em 2016/2017), sendo que aqui funcionou o objetivo: permitir a melhoria de todos, enquanto, no mínimo, se mantém as receitas de Real Madrid e Barcelona ao nível estabelecido quando os direitos eram vendidos separadamente".
A Serie A é a que tem maior disparidade na relação 1º-ultimo: 4,7:1!
 
A liga espanhola é a que tem mais semelhanças com o caso português mas existia um potencial de crescimento de recitas que não existe na nossa liga… a liga tuga já recebe mais do que todos os equivalentes em população e/ou PIB.

De tudo isto resulta que a única forma de haver centralização em Portugal é o Benfica sair prejudicado no seu legitimo interesse!
Mal o Benfica aceitasse negociar em conjunto com os restantes clubes iria, democraticamente, abrir mão dos seus proveitos próprios em beneficio de terceiros que nada fazem para melhorar autonomamente o seu nível competitivo e fazem tudo por tudo para prejudicar o clube que alimenta todo o futebol nacional!
Para o Benfica não há nada melhor do que ser independente da possibilidade de ser democraticamente prejudicado.

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