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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Tem a palavra: Dr. Foca

Mais um texto enviado de um no leitor assíduo e que publicamos na rubrica "Tem a palavra".

Quem tiver algo que gostava de partilhar, basta enviar o texto para universobenfiquista@hotmail.com

"Os lenços brancos ganharam o campeonato!!!

No rescaldo da derrota do SLB com o clube da fruta, li a afirmação que transcrita no título do post, num blog afecto ao Benfica.

As caixas de comentários dos Blogs estão, com mais ou menos frequência, cheias de teorias, sendo que algumas delas não lembrariam ao próprio belzebu.

Já sabia que há adeptos que pensam que as camisolas ganham os jogos, e que qualquer um que vista a camisola do Glorioso, tem automaticamente a obrigação de ser o melhor do mundo.

Confesso, no entanto, que esta me deixou siderado. Investem-se milhões em jogadores, formação, scounting, treinadores, gente qualificada em várias áreas ligadas ao rendimento desportivo, campos de treino e todo o tipo de infraestruturas. No fim, nada disso interessa, porque quem vence os campeonatos são os lenços brancos. Ainda por cima, agitados por indivíduos que, pasme-se, pagam para “ir à bola”!

Isto levou-me a pensar até que ponto o Benfica é hoje um clube muito diferente do que era há vinte anos atrás.

Não, eu não digo a história do Benfica começou com LFV, nem creio que alguém defenda isso, ou sequer o pense. Mas é impossível negar que o Benfica viveu um período muito negro da sua história na década de 90. No final dessa década, o Benfica era um clube sem qualquer projecto; com sucessivos planteis fracos, apesar de um ou outro bom jogador; um estádio em decadência e desajustado da realidade; formação quase inexistente; e incapaz até de pagar as despesas correntes e de gerar receitas que pudessem resolver esses problemas. 

Esta foi a realidade que LFV encontrou, e por muito que alguns queiram branquear todo o trabalho que foi feito, acho que nem com toda a lixívia e Omo do mundo serão capazes do fazer.

Pode parecer impossível, mas nessa altura havia lenços brancos com fartura e não vi o Benfica ganhar um campeonato por esse facto.

Voltando ao tempo actual, o Benfica é um hoje um clube muito diferente do que foi encontrado por LFV. Erros cometidos foram muitos, em especial do ponto de vista desportivo, e que não estarei aqui a esmiuçar.

Direi apenas que, nos primeiros anos pós Vale e Azevedo, primeiro com Vilarinho e depois com LFV, não se entrevia uma estratégia ou projecto desportivo. E, embora se notasse sinais de melhoria, notava-se uma certa fragilidade, plasmada nas constantes trocas de treinador e no critério pouco assertivo nas contratações de jogadores.

O culminar deste período, terá sido a novela em torno de Fernando Santos. Preparou-se uma época inteira com um treinador que depois é despedido à segunda jornada, resultando numa época totalmente falhada.

Nessa altura, parecia-me que talvez LFV não tivesse capacidade para nos liderar, não pelo facto de ter escolhido bem ou mal o treinador, mas por não ter tido a capacidade, sequer, de defender as suas próprias ideias.

Na verdade, a entrada de JJ no Benfica significou um virar de página nesse aspecto. Tratava-se um excelente treinador, com conhecimento profundo do futebol português e que não só venceu troféus, como colocou a equipa, a espaços, a jogar um futebol muito atractivo.

Não teve, porém, um percurso totalmente vencedor, como muitos hoje querem fazer crer. Na actualidade, alguém acredita que um treinador pudesse permanecer no comando do Benfica três épocas seguidas sem vencer um campeonato?

No final de segunda época de JJ aos comandos do Benfica, quase todos sem excepção exigiam a sua saída. Isto após um segundo lugar no campeonato a 21 ponto do clube da fruta.

Este terá sido um momento crucial e foi aqui que a minha opinião em relação à presidência de LFV, começou a mudar. Mostrou acreditar no trabalho que estava a ser feito e preferiu seguir a sua cabeça, mostrando que o Clube era dirigido de dentro para fora e não o seu contrário.

O resto foi continuar a trabalhar com competência, com os resultados que todos conhecemos.

Porém, JJ foi um treinador que se foi tornando cada vez mais dispendioso, tanto a nível de vencimentos, como na formação de plantéis. O maior custo, no entanto, que que JJ representava para o Benfica era o desperdício completo dos produtos da sua formação, de onde se destaca, como expoente máximo, o Bernardo Silva.

Da mesma forma, quando JJ saiu, também aí se assistiu a um virar de página na estratégia desportiva, que teve consequências enormes a nível da saúde financeira do clube. E, ao contrário do que muitos previam, desportivamente não nos enfraqueceu, pois continuamos fortes.

Mais uma vez, LFV mostrou que tinha um projecto e uma estratégia para o Benfica, deixando sair JJ, quando todos reclamavam que continuasse.

Em RV encontrou um treinador capaz de dar espaço aos jogadores da formação, mais alinhado com a estratégia desportiva do Clube, e mantendo o sucesso desportivo. Isto resultou na conquista de um campeonato, com a maior pontuação de sempre, e numa campanha europeia que só terminou aos pés do Bayern de Munique de Guardiola.

Uma terceira época menos conseguida, resultou numa contestação que a meu ver foi exagerada, mas que reflecte bem o que é hoje parte da massa adepta do Benfica, que tem um nível de exigência que chega a roçar a insanidade, ao ponto de achar que são os lenços brancos e a contestação que ganham campeonatos.

LFV segurou RV até onde lhe foi possível, mas a sua saída acabou por se tornar inevitável.

A entrada de Lage (que hoje tem muitos pais) revelou-se extremamente positiva. As críticas abrandaram e equipa pode trabalhar com tranquilidade. Lage manteve e reforçou a aposta no Seixal e conseguiu um pequeno milagre de recuperar sete pontos e vencer o campeonato.

Neste quadro, as eliminações da Taça do Liga Europa, acabaram por nem ter importância.





A todos estes treinadores o Benfica deu condições para que pudessem ganhar e nenhum deles se pode queixar de falta de apoio da direcção que os contratou!

Em resumo, não são os lenços brancos que ganham campeonatos, nem tão pouco as camisolas ou os adeptos, são jogadores e treinadores de qualidade, a quem são proporcionadas condições para trabalho excepcionais, os quais são escolhidos e contratados para implementarem e seguirem um projecto desportivo muito bem delineado."